Arquivo de Fevereiro, 2011

A televisão portuguesa sofreu um rombo criativo na ultima década com a introdução das novelas em massa e de forma quase linha de montagem. Se trouxe alguma vantagem foi a abertura de espaço para novos actores e profissionais do audiovisual, porque de resto limitou-se a despejar o mesmo argumento vezes sem conta onde mudavam os cenários e as personagens.  O género acabou por se desgastar, mas em termos de audiências é o tipo de ficção dominante em Portugal ainda. Mas o que aqui quero expor é a nova abertura a novos conteúdos na linha de seriados. De facto a rtp tem sido a porta para que se comece finalmente a traçar um outro caminho, nem sempre fácil porque as audiências, mesmo na estação pública, são sempre importantes mesmo que se pense que não.

Ao longo dos últimos anos temos assistido a um desfilar de séries que oscilando entre alguma qualidade e alguma banalidade vão se impondo de forma sorrateira no quotidiano. E focando somente nesta fase mais evolutiva da rtp podemos olhar para alguns exemplos de qualidade como Conta-me como foi, que apesar de ser uma adaptação conseguiu o feito de se estender por alguns anos no ecrã. Não foi uma série fácil de assimilar no inicio era muito lenta e quase cinematográfica, mas aos poucos alinhou o seu ritmo e agora está a chegar à recta final percorrendo um percurso entre o ano de 68 e 74. Pai à força também estreada na linha de montagem da SP Televisão conseguiu apesar das oscilações algum tratamento irregular da rtp provar que tinha algo a dar e agora terá uma nova temporada , mesmo depois de já ter terminado as gravações há cerca de dois anos. Liberdade 21 foi outra das séries que surgiram de forma quase experimental,  a série nunca se impôs nas audiências e na grelha estando assim algures num baú da RTP por exibir mais de metade dos episódios.

Depois tivemos mais algumas séries como Um Lugar para Viver, Cidade Despida e também a ficção histórica com o Dia do Regicídio e as mini séries sobre a República. Um esforço claro na qualidade que a rtp venceu, mas que não conseguiu impor como marca do canal. A tvi tentou ir nesta linha e criou alguns seriados como Equador e Ele é Ela e um grupo de mini séries, mas claramente não conseguiu sair do registo de novela e essa é a grande dificuldade  deste tipo de ficção no canal. A sic sempre foi mais controlada e poucas são as séries que surgiram no canal, talvez lembrando algumas adaptações espanholas como Sete Vidas e Aqui não há quem viva, mas não é definitivamente o género que o canal procure, até porque na maioria dos casos são sitcoms mais ou menos longas.

Isto para dizer que o futuro passa por este género, mas ele não pode viver sozinho, é preciso um alinhamento, uma habituação e sobretudo alguma paciência para que as audiências se imponham e assim se possam criar condições de progredir no género.

No futuro próximo irão surgir algumas novidades, na maioria dos casos na rtp que apresenta agora algumas séries novas já no ar como Voo Directo e Maternidade e na sic com a Família Mata. Sabe-se também que as mini séries voltarão à tvi, mas definitivamente o espectro da maquina de montagem de novelas estará sempre por lá.

Resta esperar que quanto mais se faça, melhor sejam os produtos e sobretudo que as histórias se soltem de alguma inspiração americana evidente para que também autores e argumentistas tenham finalmente espaço para desenvolver projectos e que não se fique sempre pelos mesmos nomes.

E ficamos por aqui, as séries portuguesas terão sempre destaque logo que se justifique. Até breve.

Community

Posted: 2011/02/21 in Séries Americanas

Community é uma das séries que eu desprezei o ano passado na pilot season ao ver o péssimo primeiro episódio e só agora percebi o erro que tinha cometido.

De facto a série transforma-se ao longo da primeira temporada e quando damos por nós estamos no meio daquele grupo de estudo onde tudo pode acontecer. É talvez das ideias mais brilhantes a nível de comédia nos últimos anos, e digo isto com total sinceridade, pois é difícil uma comédia me convencer e ainda para mais de forma quase automática como foi esta.

Por vezes o problema das comédias actuais que se baseiam em relações amorosas ou de amizade é cair no erro de serem demasiado moralistas ou as personagens optarem por um clima de constantes ofensas. E é exactamente o que acontece aqui, mas com a diferença que aqui tudo parece funcionar de uma forma harmoniosa onde os próprios clichés habituais são atirados ao tecto o tempo todo e claro caiem sempre no local certo. Mas o que vence aqui são as personagens e a personalidade de cada um que se complementam. Este é o grupo de estudo menos óbvio, mais que não seja pelo simples facto de cada um deles representar uma espécie de estado de alma da cultura americana.

Que espaço mais adequado para juntar personagens totalmente opostas? Uma universidade. Mas como seria de esperar esta não é uma universidade comum e num local como este tudo pode acontecer. Há episódios simplesmente fantásticos de tão pouco convencionais que são, mas é sempre a amizade a vencer todos os estranhos obstáculos. E é neste campo que a série brilha porque a moralidade dos actos é sempre posta em xeque e as personagens evoluem episódio a episódio sem perderem a sua personalidade.

Este foi apenas um texto introdutório, em breve irei escrever algo mais alargado e uma análise um pouco mais detalhada à segunda temporada.

 

Uma grande surpresa. Normalmente associamos à BBC o género de comédia negra e algumas séries de época, mas aqui não se está nesse mundo, trata-se de um policial com todo o seu atractivo e inteligência.

Luther é o nome da personagem, é ele que conduz a série de primeiro ao último momento, um policia de carácter forte e perspicaz, mas também com um lado explosivo e sensível ao mesmo tempo. Não é muito fácil encontrar personagens assim… ele não é o policia perfeito, ele não gosta das regras, mas tem uma enorme sentido de justiça.

Até aqui  poderiamos chegar a alguns tipicos policias das séries americanas, mas de facto a diferença reside no perfil da personagem, ele não é um herói nem quer ser, ele não é perfeito e também não quer saber disso e portanto tudo pode acontecer de bom e de mau quando ele se vê numa encruzilhada.

A série apesar de cada episódio ser um caso, juntam-se como peças na vida de Luther e caminham até um final inesperado e brutal onde todos os personagens adicionais têm um importância vital.

Crimes e personagens inteligentes, textos magníficos, um trabalho de grande qualidade visual. Ainda com um destaque para a excelente banda sonora.

Eu recomendo a todos os que adoram séries a ver, ninguém fica indiferente a este polícia e a todo o seu percurso.

Com isto tentei não referir as restantes personagens porque são tão bem conseguidas que seria tirar algum do prazer da visualização se as referisse aqui.

Vejam!

Vamos começar…

Posted: 2011/02/20 in Novidades

Este é um blog sobre séries.

Não pretende ser, apenas é. Vai ser a minha visão, os meus desabafos sobre os mais diversos temas relacionados com as séries de tv.

Aqui cabem todas as séries, sejam americanas, britânicas, portuguesas, boas ou más e tudo o mais que eu venha a ver..

O lote de blogs dentro desta temática é imenso, mas também não pretendo fazer diferença alguma, apenas quero expor os meus pontos de vista.

Eu sei que é uma entrada ligeiramente agressiva, mas para começar é preciso definir objectivos e como eu não os tenho preciso recorrer à síntese.

E se o titulo precisa de explicação basta darem um vista de olhos no tempo habitual de uma série americana.

Até breve.