Arquivo de Março, 2011

The Cape nunca se apresentou com uma série inovadora, nunca pretendeu ser uma grande produção, mas será que cumpriu alguns objectivos mínimos com a sua curta passagem? Alguns sim, outros nem tanto.

Eu nunca fui grande fã de banda desenhada, a maioria dos super heróis que conheço foram das adaptações da tv e pouco mais. Mas este género sempre atraiu imensos fãs, seja porque se criam situações irreais em que o bem vence sempre o mal tudo porque o super heroi tem poderes especiais para isso. The Cape não tinha nada de mais,  não voa, não sobe paredes, não é imortal, tem uma capa que nos leva aos meandros da magia e era somente esse o seu poder: uma misteriosa capa que conseguia ser uma extensão do próprio corpo.

Havia ingredientes para a série resultar, tinha vilões e heróis e mistérios sobre as personagens e até considero que o elenco esteve bastante aceitável, a começar pelo actor principal que criou uma presença agradável mesmo quando os clichés puxavam demasiado por ele.

A historia gira em torno de uma cidade ficticia que é dominada pelo crime e pela corrupção e no meio disso aparece um policia honesto, Vince Faraday (David Lyons), que acaba por ser acusado de um crime que não cometeu e é dado como morto. Salvo por um grupo de Circo Vince vê-se obrigado a viver na sombra para proteger a família e é aí que lhe é apresentada A Capa, que tem características sobrenaturais que permitem ser uma espécie de extensão do corpo de quem a usa, aludindo muito aos grandes mestres do ilusionismo.

A história está dentro da linha de outras ficções do género e mesmo de alguns policiais, mas o que realmente falhou aqui? O primeiro aspecto penso ter sido mesmo a pouco relevância que a NBC deu à série, surgiu na mid season onde normalmente não tem o apoio de outras séries de maior audiência, além disso precedia Chuck que não é propriamente um sucesso. Outra situação foi talvez a falta de credibilidade dos vilões secundários, pois a história que funcionava numa espécie de procedural, em que surgia um vilão e tinha de ser combatido. O principal vilão regular da história é Peter Fleming (James Frain), que domina a cidade com a sua policia, embora este vilão no final apresenta-se nuances de algo muito mais elaborado que ao inicio não se percebeu. Esta personagem limitava-se muito a ‘ser protegido’ de ameaças maiores pelo The Cape, o que acaba por ser em alguns episódio caricato pois ele é o responsável pela situação de Vince. Outro dos problema da série foi talvez o núcleo do circo, que para mim era o grande problema da série, não tinham carga criativa suficiente para permitir algum leveza seja em termos de comicidade ou mesmo de colocar o Vince entre dois mundos opostos (a lei e o crime), apesar de algumas tentativas.

O que mais resultou na série julgo que foi a personagem Orwell (Summer Glau)  que logo nos primeiros episódios percebemos a dimensão da sua busca e da sua luta e ao ao longo dos 10 episódios foi a única a evoluir claramente. Só por ela fica alguma pena a série terminar pois os acontecimentos dos últimos episódios mostraram o que poderíamos ter numa hipotética continuação.

A série não convenceu no fim de contas, as audiências foram arrastadas, a série viu ser cortada em 3 episódios a temporada, mas fica para memória futura o excelente episódio duplo (7 e 8 ) ‘The Lich’ que mostrou que ainda havia a capacidade de fazer bons vilões e pelas revelações que nos deu sobre o misterioso Peter Fleming.

A quem quiser estiver interessado em ver é uma série agradável, mas não esperem uma grande produção ou mesmo uma trama altamente elaborada, é uma história já vista com boas representações, mas não é claramente uma série para deixar saudades.

Até ao momento não foi comunicado o cancelamento, mas outra coisa não será de esperar.

Até breve.

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Este fim de semana a rtp apresenta ‘Conexão’,  uma mini série de acção sobre o tráfico de droga entre Portugal e a Galiza, produzida pela Stopline Films. A produção será exibida em dois episódios de 90 minutos nos dias 19 e 20 de Março por volta das 22h. Aqui segue alguns videos de apresentação:

 

E ainda dia dia 24 estreia na rtp Portugal Tal & Qual, uma nova série de humor da autoria dos humoristas João Paulo Rodrigues e Pedro Alves (Quim Roscas e Zeca Estacionâncio) e que procura fazer um retrato social do Portugal profundo ‘ao contrário’ num estilo mockumetary, conta ainda com a narração de Eládio Climaco. Nas noites de Quinta feira por volta das 21h30.

Estreada no passado domingo dia 7 de Março a SIC apresentou uma das suas novas propostas de ficção, uma sitcom familiar, uma adaptação de um formato espanhol com o mesmo nome, como já vem sendo habitual nestes domínios do canal. A série gira em torno de uma família disfuncional onde todos se tentam safar à sua maneira. A história começa com o jovem casal Paulo (André Nunes) e Susana (Maya Booth) que prestes a adquirir uma casa e a casar vêm a sua vida andar para trás quando são roubados e têm de ir viver para casa dos pais dela. O sitio menos improvável para se ter uma relação sólida e feliz, pois lá habitam não só os pais dela como uma série de outros familiares que só atrapalham. Artur (José Pedro Gomes) o pai de Susana é que o se pode chamar que é o tipico chefe de família que resolve tudo à sua maneira e se mete nos mais estranhos negócios com o filho mais velho, Marco (Horácio), que é uma criança com 34 anos com dois filhos que o detestam e que conseguem ser mais adultos que o pai. A mãe de Susana, Glória (Rita Blanco) é uma manipuladora nata que usa a filha para chegar aos seus objectivos, e tenta por tudo deitar abaixo o casamento da filha, porque encontrou aquele que acha que seria o marido ideal para ela. No meio disto vive ainda Alfredo (Vitor Espadinha) o avô irreverente e que passa o tempo a ignorar quem está à sua volta e Mónica (Maria João Abreu) irmã de Glória, que é uma solteirona frustrada e que passa o tempo a tentar arranjar marido sem sucesso.

No meio destas personagens todas haveria espaço para muita comédia, mas na realidade ao final de 5 episódios foi mais o drama que propriamente a comédia. O género comédia não é dos mais fáceis de se produzir e esta série ainda está bastante verde para se ditar um fim, nota-se uma certa tendência para forçar a piada que é carregado pelos sons de fundo das cenas e pelas caretas à lá Malucos do riso (a produtora é a mesma, apesar de ter mudado de nome).

O elenco não se pode dizer que não seja competente sobretudo a maioria já tem diversos trabalhos na área da comédia, o casal José Pedro Gomes e Rita Blanco funciona bem, mas por vezes o texto não ajuda e o publico parece ser forçado a rir. Já o suposto casal protagonista André Nunes e Maya Booth parecem ser aqui a parte dramática e dificilmente as cenas onde deveríamos rir isso acontece, há drama a mais no meio daquela confusão. Depois temos alguns claros exageros de representação como é o caso da Maria João Abreu e o Marco Horácio que são personagens estereótipos de pessoas reais e que por vezes ficamos algo envergonhados por ver aquelas figuras.

A personagem que eu acho que poderia funcionar como alívio de alguma pressão que a série tem em cima  é o Vitor Espadinha que passa o tempo a mandar larachas no meio das conversas, teria piada se o texto fosse realmente mais inteligente e não é, acabando assim a personagem por ser uma espécie de robô no meio daquela casa que debita frases soltas.

É com agrado que se vê finalmente uma sitcom portuguesa (apesar de espanhola) no ar, mas aguarda-se que aquilo entre nos eixos, a série terá cerca de 70 episódios e portanto haverá mais que tempo de corrigir algumas coisas que falham a nível cénico e textual.

E uma nota final acerca desta adaptação, será que não temos autores em Portugal que consigam criar séries destas originais, porque é que temos sempre de depender dos formatos testados e usados de outros países? Quem gosta de escrever ficção certamente deve ficar um pouco frustrado ao ver uma série destas que soa algo banal ser na realidade uma tradução de algo espanhol.

Até breve.

Quando se aproxima o final da época televisiva americana muitas noticias correm sobre possíveis cancelamentos e renovações de séries, os canais optam na maioria dos casos só anunciar mesmo na ultima semana, outras no entanto têm logo o seu destino decidido por esta altura. Neste momento há imensas séries que apesar de não termos a confirmação que vão continuar na realidade continuam mesmo devido ás boas audiências, outras sofrem a pressão das mesmas e lutam por sobreviver. É destas que iremos falar, as hipóteses de renovação de um grupo de séries que muitos querem ver renovadas mas que certezas ninguém tem mesmo.

Brothers & Sisters – Renovada

Eu acredito que seja renovada, mas  a série perdeu muita força e neste momento faz valores muito abaixo do que já fez noutros tempos, mesmo tendo um lead in da segunda série mais vista na ABC, Desperate Housewives. As razões para ser cancelada podem ser de ordem orçamental e sobretudo o desgaste que o elenco se queixa, como devem imaginar ter um elenco daqueles implica custos elevados e isso aliado à queda das audiências pode ditar o fim da série. Por outro lado o que pode salvar a série é simples facto de praticamente todas as novas séries da ABC terem sido um flop e portanto não há nada na grelha actual para ir para o domingo com presença solida , daí ainda se aguarda resultados de algumas series da mid season.

V – Cancelada

V surgiu como uma das estreias do ano passado de maior destaque, mas rapidamente a série caiu para valores muito fracos, foi com surpresa que a série  foi renovada, numa tentativa de novamente na mid season a série mostrar algum potencial e sejamos sinceros na realidade não conseguiu, pelo menos até ao momento a série limitou-se ao jogo do gato e do rato e não permitiu à serie subir de patamar. As audiências apesar de ligeiramente solidas não são suficientes para uma renovação. Não se dá nova chance a uma série destas em canais nacionais.

Mr. Sunshine – Renovada

Não há ainda muitos episódios para analisar, mas a série conseguiu algum destaque e um bom arranque. A abc tem tido sérias dificuldade em encontrar comédias sólidas, só Modern Family o conseguiu e portanto qualquer série que mostre capacidade de evoluir deve ser resgatada no canal. E tratando-se de um ano em que dois dos ‘Friends’ (Episodes e Cougar Town) conseguiram finalmente fazer algum brilharete na tv, nada como um terceiro para alegrar a nostalgia de outros tempos. Deverá ter uma segunda chance.

CSI: Miami – Renovada
CSI: NY – Cancelada

Estas duas é uma aposta minha, a CBS é o canal que tem menos cancelamentos, mas todos os anos há séries que eles descartam e será que chegou o momento dos CSI? CSI Miami tem perdido imensa audiências aos domingos, mesmo liderando na maior parte das vezes. CSI NY foi enviada para as sextas e igualmente perdeu audiência, embora aqui fosse expectável a queda. Num ano em que a CBS lança mais um spin of agora de Criminal Minds não serão demasiados na grelha? Daí eu tentar concluir que uma destas duas séries vai ser cancelada. A aposta vai para o CSI NY, por ser a mais nova e por ser considerada a mais fraca que tem sobrevivido muito à conta de participações especiais. Mas tudo dependerá das novas apostas e aqui é mesmo incerto o que irá acontecer.

Fringe – Renovada

Esta é a maior incógnita do ano, a mudança a meio da temporada para a sexta parecia ditar o fim da série, mas pode nem ser assim tão linear. Claro que a série não conseguiu manter os resultados que tinha na quinta feira, mas a Fox tem imensa dificuldade em ter algo com potencial nas sextas e tentaram usar a série como pretexto de salvar a sexta. Foi um jogada péssima, haveria certamente outro horário para a série.  Quase todos concordam que esta tem sido a melhor temporada de todas, no entanto isso não se revê em publico e aí reside o problema. A série certamente será renovada se olharmos para outros exemplos como Prison Break que teve direito à sua temporada final nas sextas feiras, Dollhouse que nunca se impôs mas que viu a chance de uma segunda temporada para finalizar. Fringe tem sido uma espécie de protegida da Fox e portanto na minha perspectiva o canal irá renovar para uma quarta e ultima temporada, talvez de 13 episódios apenas.

Chuck – Renovada

Chuck já deu o que tinha a dar, mas é das poucas séries não sitcom que apresentam alguma solidez e a NBC não tem conseguido nada de jeito nas segundas feiras. Certamente será renovada novamente, embora da minha parte encerre este ano a sua visualização, quando se anda ás voltas em mais do mesmo vezes sem conta fica-se tonto e isso não é bom.

The Event – Cancelada

Todos temos a certeza que a série vai ser cancelada e de quem é a culpa? Que série foi esta que tentou pegar em ideias de outras e fazer um milkshake? Não resultou esta gracinha com tons de 24 e Flashforward, com aliens pelo meio. A primeira parte foi um despejar de ideias pré concebidas e muito previsíveis. Curiosamente o final da primeira parte soa igual ao final da primeira temporada de V. Talvez a segunda parte mostre algum potencial, mas dificilmente irá convencer a NBC a renova-la e se isso acontecer é mesmo por desespero dado o fracasso que tem sido tudo o que este canal tem apresentado este ano.

Só uma nota final acerca de Two and a Half Men, acreditam que a série vai continuar sem o Charlie Sheen? Não é que ele mereça voltar por ser um autêntico idiota, mas a série é ele a fazer de si próprio e não acredito que na hipótese de haver um substituto a série tenha as audiências que tem e será certamente um tiro no pé.

Até breve com um olhar sobre o cabo americano.