O melhor da época 2010/11 parte 3 Séries Britânicas

Posted: 2011/07/21 in Análises de Temporada, Séries Britânicas

E agora para terminar este ciclo do ultimo ano televisivo olhemos para a tv britânica e o que de melhor nos tem dado na sua ficção. Um dos pontos a favor em relação ás séries americanas é que estas são todas curtas, normalmente oscilam entre os 4 e 8 episódios, pouco mais que isso é reservado a séries já com publico fidelizado. Mas quais são realmente as diferenças entre géneros? O facto de se condensar histórias em poucos episódios permite um maior tratamento, como a série é feita antes de estrear não há o efeito adverso das criticas e das audiências, é tudo feito ao sabor da liberdade criativa. As séries americanas duram tempo demais e acabam por se perder em alguns casos, dai que comece a ser claro o encurtamento de séries para metade, embora a razão seja monetária na maioria dos casos, ou por agenda limitada na grelha.

As séries britânicas focam-se sobretudo nas personagens e nos textos, todos os exemplos que vou referir a seguir estão muitos pontos acima de certas séries policiais e de investigação americanas, mas se estas tivessem uma extensão maior será que a qualidade se ia manter? Nada é perfeito e por vezes o que é bom ao inicio quando volta corre o risco de perder algum encanto, porque isso acontece não se sabe ao certo, mas o facto de haver longos períodos entre temporadas desvia produção e actores noutros caminhos que quando voltam ao projecto acabam desfocados do que inicialmente tinha feito.

Para mim este foi o ano da tv britânica que aos poucos ia ouvindo falar e resolvi testar um grupo de séries que agora me tornei fã, sobretudo porque desmontam completamente os preconceitos americanos de certos tipos de histórias. Entre elas estão três do canal E4, Misfits, Skins e The Inbetweeners. A primeira é uma engraçada incursão pelo mundo dos super poderes, mas não podia ser na mesma heróica visão americana, aqui tudo é desmontado, as personagens não são propriamente perfeitas e com intenções de salvar o mundo, porque ter poderes pode ser mais problemático que útil. Com imensos tons de comédia negra a série é uma surpresa a cada episódio. E na linha das séries arrojadas temos a mais conhecida Skins que infelizmente se perdeu um pouco pelo caminho, uma geração pouco coerente e que está longe da genialidade da primeira e mesmo da segunda geração. No campo mais cómico temos The Inbetweeners que é um fabulosa sátira ao mundo dos adolescentes nerds ou melhor socialmente falhados, sobre o ponto de vista de quatro amigos que de tão diferentes conseguem virar o mundo do avesso. A E4 tem surpreendido bastante sobretudo pelo arrojo dos textos e da forma descomplexada que fala do sexo e da adolescência, em que estas três séries acabam por ser ponto em comum.

A BBC que é quase uma especialista em séries de época tem vindo a mostrar-se um pouco mais para o lado policial, que é o caso destas três séries: Luther é uma série fantástica, com o foco totalmente num policia que não é de todo perfeito e que não se poupa de usar o poder que tem para os seus fins, mesmo que legitimos. A primeira temporada foi fenomenal, uma dupla Luther/Alice Morgan de ficar desejando por mais… e aí falhou na segunda temporada, Alice desaparece e a série cai na banalidade dos  procedurals. Sherlock é aquele que já conhecemos com os métodos mais incriveis para resolver charadas, nesta actualização da personagem e uma interpretação brilhante de Benedict Cumberbatch, caminhamos pelas ruas sombrias de Londres e das suas sinistras figuras. A terceira série é The Shadow Line que é um confuso jogo entre tráfico e policias corruptos, um jogo que tem um desfecho original, mas é preciso ficar atento que a história tem demasiadas sombras. Destaco ainda Being Human que apesar de só ter visto a primeira temporada é certamente uma série a recomendar e já tem a sua versão americana.

A ITV trouxe este ano duas séries policiais bastante curiosas e que apesar de não terem o nível das séries da BBC são interessantes porque mais uma vez o foco é na força das personagens e nas suas angustias. Vera e Case Senstive tocam-se em alguns pontos, até porque ambas são adaptações literárias, mas Case Sensitive acaba por ser o elo mais fraco, mal do facto de ter tão poucos episódios, dois apenas. Vera tem 4 episódios de 90 minutos o que acaba por ser praticamente um filme a cada episódio o que pode forçar um pouco o sono devido ao arrastamento.

O Channel 4 trouxe a surpresa deste verão, Sirens é uma série que pega num grupo de paramédicos mas em vez de se focar nas situações médicas acaba por ser uma divertido analogia pelas vidas daqueles três homens cada um com os seus problemas pessoais e dilemas. Mais uma série a provar que é na simplicidade que se faz as melhores séries, sem exagero, com uma naturalidade enorme a série cativa logo ao primeiro episódio.

A Sky 1 resolveu também fazer uma aposta na ficção e trouxe duas séries que se destacaram, Mad Dogs que quem sobreviver ao primeiro e algo aborrecido primeiro episódio vai gostar do resto, o problema da série é talvez o facto de estar muito fechada sobre a ilha de Maiorca ou seja o restante elenco que aparece é praticamente com efeito nulo o que asfixia um pouco a série. Mas o grupo de amigos quarentões que resolvem dar uma escapadela que acaba mal é um bom mote. O canal produziu e exibiu ainda Bedlam que é um triller sobrenatural, mas que confesso ainda está por ver.

Esta é uma amostra do que se têm feito por terras de sua magestade durante o ultimo ano, certamente haverá outras séries a destacar, como é o caso de Doctor Who, mas essa é talvez a mais conhecida devido à sua longevidade.

Espero que possa contribuir para dismistificar algum dificuldade nas escolhas das séries britânicas, julgo que quem gosta de séries não se arrependerá de ver algumas destas, até porque a sua duração curta permite não ocupar muito tempo.

Assim se encerra o ciclo de análises de época, agora aproveitem o verão.

Até breve.

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