E se eu vos falasse de Doctor Who? Provavelmente muita gente ouviu falar da série britânica com quase 50 anos, mas poucos a devem ver, pelo menos não é tão mediática nos amantes de séries como são algumas americanas, mas é muito apreciado no universo geek Sci Fi. Dei por mim no verão passado a pegar na série, achei que era o momento, já tinha visto uns episódios soltos e se calhar pela escolha achei aquilo demasiado estranho. Foi então no momento de coragem que resolvi começar a ver de inicio as 6 temporadas que já existiam, da versão moderna, porque existem muitas mais para trás. Até agora vi as três primeiras e fiquei completamente rendido ao universo de Doctor Who e uma série destas tem tanto por onde puxar que a única maneira de perceberem como a série me fascinou é viajarem comigo através das primeiras temporadas e da riqueza criativa desta série da BBC.

Esta é a história de um Timelord que viaja numa espécie de nave espacial em forma de uma antiga cabine da policia entre o passado, o presente e o futuro. O seu objectivo é ajudar a salvar a humanidade das imensas espécies alienígenas que povoam a galáxia. Mas para isso conta com a ajuda de uma companheira humana.

A TARDIS aguarda-vos nesta viagem temporal.

1ª Temporada

Na primeira temporada a história da série é a meu ver um bocado dúbia até porque não vai muito longe, sobretudo  para quem não conhece as versões anteriores e portanto é o que se chama da temporada da incerteza. O que aqui me pareceu ganhar espaço é sobretudo a relação do Doctor e Rose menos a mitologia que virá mais tarde. O primeiro episódio é estranho quando nos deparamos com a história de manequins robotizados a perseguir pessoas na rua,  mas no seguinte temos um vislumbre do potencial da série quando nos é presenteado o fim do mundo. E por aí fora com episódios que parecem desconexos mas que trazem todo um lote divertido de personagens e nos carregam e nos viciam por aquelas viagens temporais. Confesso que prefiro os episódios do futuro do que os do passado, talvez porque a potencial de imaginação vai mais longe. O que acontece nesta temporada e depois na segunda é que há uma clara interligação entre alguns episódios que se condensa no final com uma das primeiras grandes batalhas do novo Doctor com os Daleks, os seus grande inimigos. Os episódios que aqui merecem destaque são sem duvida: The End of The World, Dalek, The Empty Child e os dois finais: Bad Wolf e Parting of The Ways.  No  final da temporada acontece uma mudança de Doctor, o que não tirando mérito ao Christopher Eccleston, foi uma mudança positiva.

2ª Temporada

A segunda temporada é mais dirigida a Rose do que propriamente ao Doctor, até porque não existe claramente a intenção de esconder que Rose iria morrer no final e portanto durante este tempo percebemos como funciona a estrutura e as consequências de viajar no tempo. Confesso que esta foi a temporada que mais gostei por ser muito mais densa e não ter tantos episódios ‘stand alone’ como a antereor. Nesta temporada o Doctor regenera-se e surge David Tennant que é talvez mais divertido e mais simpático que o antereor, embora a ideia fosse manter a mesma postura do anterior. Nesta temporada começamos a entender um pouco mais da mitologia no primeiro episódio New Earth e no seguinte Tooth and Claw onde se começa a dar ênfase à criação de Torchwood (que é um spin of nascido no final da primeira temporada e referido em quase todos os episódios da temporada).Temos ainda o regresso de uma das personagens das antigas séries Sarah Jane que infelizmente faleceu a actriz há algum tempo. Aqui vamos também conhecer um novo inimigo do Doctor, os Cyberman, fazendo com que a série vá ainda mais longe explorando mundos paralelos. Esta temporada tem elementos que me fazem crer que algumas séries americanas se aproveitaram, sobretudo Fringe que tem alguns elementos muito parecidos e não são somente os mundos paralelos. Mas como esta temporada é mais centrada na Rose e no seu destino há um elemento que acompanha desde o inicio as iniciais Bad Wolf que nos levam ao final fantástico da temporada com um dos twists mais bem conseguidos da série até ao momento. Os episódios que eu destaco mais nesta temporada, embora quase todos sejam muito bons são New Earth, The Girl in the Fireplace, The Rise of the Cyberman, The Impossible Planet e Satan Pit (que é talvez para mim um dos  melhores episódios que vi até ao momento) e Doomsday, o final fabuloso da uma temporada quase perfeita.

3ª temporada

E chegamos à terceira onde mais uma vez existe uma mudança pesada, desta vez a companheira do Doctor, nesta fase ela é substituída por Martha Jones (Freema Agyeman) que não é Rose e ela sabe disso, mesmo a própria personagem vive um bocado o dilema de ser a substituta e portanto nem se pode criticar o seu desempenho dado que os argumentistas lhe colocam nas costas um pouco da herança do desaparecimento de Rose. Mas esta é a temporada das questões e finalmente começamos a entender mais da história e do passado do Doctor e mesmo de quem ele é. Desde o inicio que sempre se pautou por alguma ambiguidade de carácter e onde são as suas companheiras que fazem o equilíbrio. Penso que nunca se tentou dar ao Doctor a imagem do herói, aliás a sua história com os Daleks é tudo menos de heróis e vilões somente. E deste modo há episódios que nos mostram outra faceta do Doctor como da sua solidão e culpa pelo que aconteceu aos seus. Em episódios chave a crueldade é mesmo posta em evidência, onde se inclui o especial de natal The Runaway Bride e o final de Family of Blood. Mas é aqui que vamos conhecer mais do seu passado quando os episódios nos levam a conhecer outro Timelord que não é mais do que uma metáfora do que foi a ainda pouco conhecida guerra que levou à extinção dos seus. Embora a sensação de que esta terceira temporada pareça um pouco mais fraca que a anterior (sobretudo o inicio) há uma melhoria significativa do argumento abrindo portas para ir ainda mais longe. Mas o episódio que envolve os Daleks acaba por mostrar um pouco o esgotamento desse mesmo enredo, não foi propriamente feliz essa duplo episódio. Os melhores momentos da temporada acontecem em Runaway Bride, The Lazarus Experiment, 42, Family of Blood, Utopia e Last of the Time Lords.

Fiquei fascinado com este universo, com todas as suas personagens, com a mitologia, a forma como tudo se interliga o que mostra uma grande capacidade criativa que raramente se perde.No fundo esta é uma espécie de antologia sobre a raça humana e como ela sobreviveu no passado e no futuro contra as mais diversas raças alienígena, é uma epopeia que não se esgota em momento algum e é fruto de uma excelente equipa de argumentistas.

Voltarei numa outra altura para falar das restantes temporadas. Até lá aproveitem para ver esta excelente série de ficção cientifica e percebam onde muitas séries americanas se inspiraram para fazer alguns (in)sucessos recentes.

Até breve.

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