The Moodys Effect #10 – 5 Séries, 5 Canais. O fim de uma era!

Posted: 2012/10/26 in Análises de Temporada, Cancelamento/Renovações, Moodys Effect, Séries Americanas
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Há algo no final desta temporada que não podia deixar passar, não são as séries novas, não é o que foi renovado mas sim o que ficou marcado no tempo. Não foi um ano brilhante, não se pode dizer que houve grandes sucessos, não houve grandes surpresas no final da época. Mas este ano de 2012 marca de alguma forma o fim de uma era, coincidência ou não cinco séries canceladas (ou melhor terminadas) que nos deixam foram importantes marcos da última década, uns mais que outros é certo, mas todas elas deixarão memórias do que ainda de bom a tv nos ofereceu. Se o futuro trouxer os frutos do que agora nos deixa podemos dizer que não foi tempo perdido. Certamente muita gente se emocionou com os finais de House, Desperate Housewives e até Chuck e a tv é isto mesmo, feita de emoções e uma variedade enorme de géneros e aqui incluímos One Tree Hill e CSI Miami neste lote de despedidas. Cinco séries, cinco géneros, cinco finais, cinco canais o mesmo objetivo: fazer sonhar. E esta é a minha pequena homenagem a esta curiosa coincidência.

House (FOX)

House é talvez uma das series mais marcantes da última década, quebrou as barreiras do politicamente correcto, passou por cima de estereotipo do médico perfeito e sempre disponível para todo o serviço. House foi diferente e desde o início ninguém ficou indiferente ao seu percurso. Os casos mais simples transformavam-se numa batalha de estratégias e experiências tudo sobre o comando de um mal educado, pouco preocupado, egoísta, rezingão, manipulador e viciado médico: Gregory House. E a tv passou a ver a medicina de outra forma, com as suas estranhas nomenclaturas, doenças, medicamentos e uma corrida por vezes contra o tempo e contra tudo e todos. House foi durante sete anos uma série sobre um médico e não sobre a medicina, tudo era sobre ele e assim foi até ao final. Por entre equipas que foram mudando, julgamentos precipitados e curas duvidosas. O final não desilude, porque no fundo a série é sobre um só homem e aqueles a quem ele influenciou. Por entre momentos de desespero House reencontra entre mortos e vivos a redenção que procurava. Não segui a série do início ao fim, fiquei pela quinta temporada, até se pode dizer que a série cansou um pouco, mas nunca perdeu a sua essência, no fim de contas sempre foi um procedural médico e portanto é normal que ao fim de um tempo as audiências venham a cair, como se isso importasse muito para quem vê. Com o final anunciado a série não quis ir longe demais apenas deu a House uma última oportunidade de não ser somente sobre ele e no fundo todos sabíamos que apesar da figura rígida e manipuladora House ainda tinha coração e portanto o final deixa uma elevada satisfação. A série marcou um tempo que não volta, se X files deixaram nos anos 90 uma mutação de géneros, House deixa de forma clara uma visão sobre a medicina que mais nenhuma série terá conseguido nos últimos anos, mas sobretudo largou o médico típico e trouxe a um sem número de séries tiques e caracterizações que há 7 anos atrás ninguém se atrevia a fazer.

Desperate Housewives (ABC)

Há cerca de oito anos esta série apanhou de rompante meio mundo, o sucesso imediato da série catapultou a ABC para o topo. A história de quatro amigas que vivam em Wisteria Lane, um bairro do subúrbio que juntava todos os clichés possíveis e todo um lote de personagens caricaturados que fez as delícias das donas de casa e meio mundo. O género novela era até então pouco enraizado, a série abriu caminho para o género que muitas vezes era posto de parte nos canais de cabo ou em horários menos interessantes. Mentiras, traições, morte, vingança, suicídio, dinheiro, divorcio, filhos, trabalho, o amor mas sobretudo a amizade. Estas foram alguns dos motes que ao longo de oito temporadas carregaram com um ritmo quase alucinante a vida de quatro tão diferentes amigas. O final pré anunciado no início desta época parece não ter recuperado o fôlego de outros tempos, mas o desgaste era evidente. Algumas tentativas de remodelar a série com a chegada de novas ‘donas de casa’, um salto no tempo e mesmo a morte de um sem número de personagens das formas mais caricatas foram alguns dos artifícios que coloriram a série. E no final a série presenteou-nos com a emoção da despedida, o fiml a meu ver foi bem conseguido, o final das personagens não desiludiu embora possamos achar que aquele toque final de que elas não se voltaram a reencontrar deixou uma lágrima no canto do olho, mais do que o exagero visual da última cena onde podemos ver todos aqueles que deram a vida pelo bairro. Eu vi a série até á terceira temporada e depois acabei desistir por achar demasiado novelesca, mas mais uma vez assinalo que esta é uma das séries mais marcantes da década passada, um ponto de viragem na forma como as séries ‘novelescas’ passaram a ser contadas e como as personagens deixaram de ser básicas e a ter exageros marcantes. E a série quebrou barreiras e escutou os problemas e divertiu e emocionou. Terem optado por ‘recriar’ os erros do passado de forma caricata foi um bonito toque para nos despedirmos. Até sempre Bree, Susan, Lynette e Gabrielle.

Chuck (NBC)

Apesar de Chuck ser talvez o elo mais fraco destas longas séries, os seus cinco anos de vida mostraram como mesmo as séries mais simples e com poucas audiências conseguem grandes feitos. A história do geek que acaba com um programa de governo no cérebro e que passa a ser um espião divertiu durante muitos episódios durante as suas inúmeras riviravoltas. Nunca olhei para esta série com esperança que fosse algo grandioso ou muito bem feito, a série sempre teve o seu quê de parola e sobretudo soube brincar com isso. Não se poupou a tirar de nós as memórias de infância, quando trouxe caras que em tempos foram rostos da ficção televisiva, ou mesmo usando referências indirectas. Inventou os vilões e conspirações mais estranhas, e mesmo quando achamos que aquilo já não dava mais a série reinventava-se num loop de parvoíces e brincadeiras que nenhuma série atualmente faz dentro deste género. O final deixou-nos tristes, sobretudo porque a opção foi deixar em aberto a recuperação da memória Sarah, mas foi certamente para piscar o olho a algo no futuro. Mas na linha cómica a série acabou por ser memorável pela comédia protagonizada por Jeff e Lester . Se a série deixou algum legado não sabemos, mas não voltaremos a ver geeks informáticos metidos em conspirações governamentais da mesma maneira. Apesar dos altos e baixos dos cancelamentos e regressos que acabaram por ter um efeito nefasto no argumento o que interessa mesmo é o entretenimento e esta série conseguiu apesar de tudo ser aquilo que se espera de uma série, divertida, emocionante e que não nos obrigue a pensar demasiado e talvez tenha sido isso que fez o sucesso da série, sucesso esse que nem sempre se mede em audiências.

One Tree Hill (CW)

Das cinco series referidas, esta é talvez a que eu menos conheço, mas sei que é uma das últimas sobreviventes da ex Warner Brothers. Durante nove épocas a história de um grupo de amigos e dos seus amores e desamores, traições e enganos, mas sobretudo unidos pelos laços dos tempos do colégio. A série a meio optou por saltar no tempo 4 anos se não estou errado, o que lhe passou a atribuir um toque menos adolescente do que tinha desde o início. A série era um relativo sucesso na WB e tal como Sobrenatural foi resgatada no nascimento da CW. Como eu não sei muito sobre a história da série vou apenas focar-me no final, há muito tempo atrás vi o piloto também. O final não serviu para encerrar grande coisa, pois a história segundo percebi já o tinha feito. Optaram por um episódio mais introspetivo, com o alinhar das relações e o preparar o futuro. O futuro e a felicidade foram os motes principais, resgatando memórias do início da série e indo aos locais míticos como o parque de basquete e a escola, a série quis mostrar que as coisas boas são passadas de geração em geração e que não vale a pena chorar por aquilo que não foi mas lutar pelo que queremos e sobretudo amar. One Tree Hill pode não ser das séries mais marcantes da tv americana, mas senti que havia algo de The OC, a série da fox. No fundo as séries de adolescentes facilmente caiem no erro de serem sempre sobre o mesmo, mas pelo que pude constatar esta soube ficar mais adulta e destacar-se de muita da porcaria que o canal exibe. O episódio final com uma série de momentos musicais e um despedida agradável, foi doce e suave tal como a série sempre me pareceu ser.

CSI Miami (CBS)

CSI Miami como sabem é um spin of da original CSI (Las Vegas) e portanto até poderia facilmente cair no esquecimento de ser uma cópia da versão desértica. Mas na realidade a série conseguiu durante muito tempo o estatuto de série mais vista no mundo inteiro. Confesso que nunca me agradou a série porque o protagonista me irritava, mas não posso deixar de olhar para ela como mais um dos marcos da tv da última década. Caruso foi sem dúvida o actor mais quadrada da tv, mas marcou um estilo, uma atitude e uma presença em cena que ninguém fica indiferente. Entre as praias e o dourado do sol de Miami ele resolvia os casos com um ajustar dos óculos e um pequeno momento de introspeção. E isto foi suficiente para se tornar numa das séries mais populares no mundo inteiro, numa época em que se globalizou a distribuição e a promoção em massa. A série não nos presentou com grandes enredos, era um simples e relaxante procedural onde uma equipa forense resolvia através dos métodos mais científicos possíveis os crimes mais estranhos e misteriosos de Miami. A simplicidade por vezes faz o seu papel, porquê perder tempo com enredos complexos se podia dar a cada episódio um pouco da arte de se resolver um crime? Não vi o final da série, mas como foi cancelada após o término não haverá certamente muito para encerrar, mesmo nestes casos nem é preocupante dado não existir grande enredo global. Restam agora em antena o segundo spin of NY e a original que continuam a dar o seu entretenimento para quem gosta do género. Mais um marco da história da tv que não será certamente esquecido.

Poderia falar de outras séries, mas estas cinco marcaram um tempo, a ultima década e deixaram um legado que não pode ser apagado tão facilmente, cada uma ao seu estilo e da sua forma mais ou menos elaborada contribuiu para que os anos de ouro da tv americana sejam sempre lembrados com os seus personagens ricos e uma imaginação sem limites. Se o que vem depois fará uso do que se aprendeu não sabemos, mas o tempo o dirá.

Até sempre.

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