Notas da Semana #4 Comédias Cravo e Canela

Posted: 2012/10/29 in Crónicas, Notas da Semana
Etiquetas:, , , , , , , ,

O que seria de nós sem uma boa gargalhada diária? por vezes é difícil mesmo sorrir perante as adversidades da vida, perante o marasmo que nos circunda. Se não encontramos um sorriso em alguma coisa que nos rodeia estamos perdidos nas brumas da tristeza e da solidão. Então se falamos de tv encontramos cada frame do ecrã algo que nos deita abaixo ou nos faz duvidar de que algo vai mudar para melhor. Portanto hoje fala-se de comédias da tv, as que vamos seguindo e as que ninguém quer saber, porque há tantos estilos que algum nos haverá de agradar. Quando criei este blog não pretendia falar somente das séries americanas ou britânicas, mas de uma forma geral da ficção em tv e desta modo resolvi falar de comédias mas de algo mais que me tem divertido imenso nos últimos tempos.

Happy Endings 

Só este verão peguei na série e fiquei rendido à sua loucura, no estilo muito a puxar por Friends. Onde temos o casal que não quer ser casal, o casal casado, o gay e a solteirona. Uma junção que se não fosse tão bem conseguida caía rapidamente em mais do mesmo neste tipo de comédia sobre amigos. Um dos personagens que salta à vista é o Max que é o gay menos gay da tv americana o que gera uma empatia com a personagem fantástica. Depois temos o casal cartoon a Jane e o Brad e o casal menos interessante da série Alex e Dave. E não podia esquecer a louca da Penny que é Amaaalzing. Só para dizer que o regresso da série foi morno, mas vale a pena continuar pelo historial de loucura da segunda temporada.

Don’t Trust Bitch on Apartment 23

Quando o ano passado comecei a ver a série fiquei meio desconfiado que isto ia ser de pouca dura. Mas após uns primeiros episódios menos convincentes a série mostrou ainda que com poucos episódios o que valia. Chloe a bitch desta série é uma personagem diabólicamente divertida. O facto de ela ver a vida de uma forma completamente alheia do que provoca aos outros é genial. Acaba por ser uma série pouco convencional porque é dado mais destaque ao humor negro. Mas quem talvez tenha ajudado a série a ganhar alguns pontos foi James van der Beek que faz se si próprio, alguém que continua a viver da fama da única coisa que fez de sucesso: Dawsons Creek. E é sobre isto que foi o regresso da série e foi um episódio muito bem conseguido e muito divertido. A reunião que nunca será… ou será que um dia destes temos o Joshua Jackson a participar na série? Desempregado estará ele em breve.

30 Rock

Entrando este ano na sua última dose de episódios 30 Rock fez um percurso admirável dentro deste género de comédia. Gozar com o próprio sistema de tv, com as falhas, com as próprias estrelas e até consigo mesmo,  não é algo que seja fácil e bem aceite no mainstream, mas 30 rock conseguiu isso ao longo destas 7 temporadas. Com alguns altos e baixos mas sempre tentando evoluir as personagens de modo consensual. Esta última temporada está bem ao nível daquilo a que se propõe e o final não se aceita nada mais que épico. Liz, Jenna, Tracy, Kenneth, Jack e o resto do gang vão deixar a sua marca na tv. Até lá ainda teremos muitos episódios para rir desta louca equipa.

It’s Always Sunny in Philadelphia

Tal como 30 Rock esta série já tem uma certa longevidade o que lhe dá um estatuto de série de culto. Sendo de um canal de cabo, o FX, a série é muito mais negra do que qualquer outra e sobretudo conseguiu ao longo do tempo criar o seu estilo muito próprio. Aliás a equipa é vencedora porque sendo um produto feito e representado pelas mesmas pessoas confere-lhe toda uma capacidade de ser completa. Este gang é do mais racista, xenofobo, mal educado, vigarista e o que mais seja que há. Representam o pior da cultura americano, o tipo que se quer é aproveitar do sistema para encher o bolso. E com isto fazem as tropelias mais insanas possíveis. Este último episódio foi um bom exemplo desta meticulosa capacidade criativa. Uma alegoria ao género mortos vivos em que nada é o que parece mas com um toque de ironia fantástico. Não é um humor para todos, porque por vezes é tão visceral que não convence o mais sensível espectador. Continuo a rir imenso com isto agora como no inicio. É um achado que poucos conhecem.

Suburgatory

Uma das comédias que me tem desiludido no seu regresso, aliás ela já tinha mostrado alguma fragilidade na primeira temporada. O facto é que quando se usa um universo tão caricaturado como aquele subúrbio espera-se mais loucura e mais excentricidade e por vezes alguns personagens parecem apenas bonecos que debitam algumas palavras sem piada. Os protagonistas pai e filha são a parte ‘séria’ deste local e são aborrecidos. Neste último episódio de halloween até houve alguma piada com os twists Ken e Scooby Doo mas a série peca por não arriscar mais.

Falando da Gabriela

Confesso que novelas é algo que me dá sono, até posso ter seguido alguns casos no passado mas hoje em dia é mesmo algo que me irrita profundamente, seja pela falta de histórias interessante, actores medíocres,  longevidade levada ao extremo e muitas outras razões criativas e pessoais. Mas fiquei muito curioso quando soube do remake de Gabriela. Não é novela do meu tempo, já tenho uns anos mas não tantos, e foi sempre algo que passou gerações a mítica da história da Gabriela. Não era tão pouco comum ouvir falar do Nacib ou do Bataclan. Da história da Gerusa e Mundinho ou mesmo do facto da novela ter mostrado uma sensualidade que nos anos 70 Portugal ainda desconhecia das histórias brasileiras. O facto é que esta história inspirada na obra de Jorge Amado é uma pérola no meio do oceano de mais do mesmo. A forma sarcástica com que se usa a sociedade de Ilhéus dos anos 20 para fazer ponte à actualidade é algo que nem todos os autores de novela conseguem.

Nesta história sobre a vila dos fazendeiros de cacau tudo tem um ponto de partida e outro de chegada, desde a austeridade das politicas dos coronéis, a posição da mulher na sociedade, a forma como a própria religião é mostrada. Mas mais que isto é a profundidade das personagens e a existência de um equilíbrio entre o que é certo e o que é errado. Não existem personagens que se digam maus por natureza como é muito comum nestas novelas, o que conduz a maldade de alguns personagens é mesmo a sua condição na sociedade, o seu ponto de vista do que é certo. O que aconteceu nesta semana mostra um pouco a faceta mais violenta do pensamento humano, quando um casal é assassinado a sangue frio perante um marido encornado. Isto seria apenas um crime passional, mas aquele mundo onde as regras ainda são as da honra a própria sociedade divide opiniões entre se era certo ou não. Quantas vezes acontece isto na actualidade?

Claro que outro dos elementos é a linguagem e a comédia, sempre afiadas para o sarcasmo, as personagens ultra caricaturadas e toda uma panóplia de situações muito divertidas que transformam esta mini novela num excelente entretenimento. A dose de comédia é sempre balançada com o drama, o que aliás é um elemento muito conhecido do autor do remake Walcyr Carrasco.

Jorge Amado sempre foi autor de histórias muito femininas e sobre mulheres fortes e este é um dos mais brilhantes exemplos de como uma história pode ser algo mais do que somente um folhetim de amores e desamores. Outra dos elementos habituais é o progresso, sempre presente nestas histórias de forma mais subtil mas que são também representativos da realidade brasileira. Esta novela de curta duração, terá cerca de 70 episódios, é uma das poucas coisas que neste momento a tv portuguesa oferece de interessante e isto acaba por ser realmente mais dramático porque vivemos com as novelas brasileiras há décadas mas continuamos a não aprender muitas das técnicas básicas da ficção e de como o espectador pode ser tratado como alguém que não é idiota. Temos uma literatura extensa, uma história cheia de acontecimentos e por mais ficção que se faça poucos são os exemplos que se diga que foram excepcionais. Seremos a televisão que temos? Fica para outras discussões.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s