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Um dos temas recorrentes das comédias americanas é o uso da família, porque facilmente se consegue que as pessoas se identifiquem e pode ter vários escalões etários, sejam bebés, adultos, jovens ou idosos. Depois há toda uma estrutura em volta da mesma que permite criar uma diversidade de pequenos enredos próximos da vida real. No entanto a comédia tem vindo a procurar outras formas de explorar esse conceito de família, irmãos, vizinhos, casais recém casados e até novos géneros de famílias como as monoparentais ou os casais gays. Este ano não foi excepção e seguem-se mais alguns exemplos de novas séries que tentam explorar conceitos diferentes de ver a família. Alguns funcionam outros nem tanto. Como falamos de comédias mais uma vez digo que é difícil avaliar uma série pelo seu piloto e portanto o que pode ser mau agora pode até originar uma boa série.

De destacar dois grandes regressos à comédia na tv, que são também as duas maiores apostas no género este ano.

Trophy Wife (ABC)

A série gira em torno de uma jovem Kate uma party girl que uma noite no karaoke esbarra com um advogado e conhece finalmente o amor da sua vida. Só que os sonhos vêm com adereços e ao casar com este homem acaba por casar também com as duas ex mulheres e os filhos dele. Esta é a premissa simples para nos dizer que há por aí uns senhores mais velhos cheios de ex mulheres e filhos prontos para sacar mais uma loira como troféu para a sua colecção. Aliás o principal problema advém do nome da série que de alguma forma mina logo onde isto quer ir, embora os autores tentem disfarçar.  A série é absurda logo na sua base, entendo que a ideia seja explorar este conceito de família muito disfuncional onde se juntam diversas personalidades muito distantes, miúdos que se comportam melhor que os adultos e tudo aquilo que Modern Family nos deu nos últimos anos. Portanto não há nada nesta série que possa ser  novo ou que se sinta que pode ir mais além. As piadas são fracas e repetitivas. A mais valia da série é que tem um grande elenco e bons actores e portanto existe espaço para ir mais além do que a insanidade que se viu, mas não chega para convencer.

5.2/10

Back in the Game (ABC)

Séries que se baseiam em desportos tipicamente americanos normalmente não são muito atractivos para audiências exteriores como é o meu caso e portanto o meu interesse em Softball é quase tanto como por esta série. Terry uma ex treinadora deste desporto que abandonou quando ficou grávida vê-se na situação de voltar a apostar na sua carreira quando vê o filho ganhar interesse na actividade mesmo não sabendo nada sobre ela. Recusada como treinadora da escola ganha a oportunidade de tentar colocar um grupo de miúdos ‘rejeitados’ na linha. A série no geral vai-se focar neste grupo de miúdos sem grande jeito para Softball mas sobretudo na relação com o pai e com o filho. É mais uma daquelas séries sobre relações familiares em que só muda a profissão da protagonista. Não é uma série interessante e tem pouca piada, ao contrário da anterior não vejo capacidade de evolução da comédia mesmo que se foque em colocar miúdos em situações patetas.  Não é definitivamente este o caminho das comédias da ABC.

4.5/10

The Crazy Ones (CBS)

Não é habitual encontrar uma comédia single cam na CBS, aliás ela está colocada num dia onde no canal só estão multi cam . Mas o que importa aqui é que por mais estranha que soe a este canal o género de comédia ela resulta em cheio. Robin  Williams é a grande aposta mas como uma série não se faz somente de um actor juntaram Sarah Michelle Gellar e James Wolk. O enredo foca-se sobretudo numa agência publicitária e o seu fundador Simon Roberts, que é uma espécie de estrela do mundo da publicidade, e os seus dois filhos Sidney e Zack que com ele gerem esta empresa de criativos. O episódio piloto funciona em cheio porque nem nos deixa respirar quase conseguimos estar ali e viver aquele stress de gerir rapidamente uma marca.  Depois tem todo uma espécie de realismo quando nos apresenta marcas reais (aqui a Mcdonalds) e até a participação de pessoas a fazer de si próprias como neste caso a Kelly Clarkson, que está brilhante. Tudo no piloto funcionou, desde a insanidade latente do pai, a filha que tenta equilibrar tudo e o filho que é rapidamente levado pela loucura do pai. É rir do inicio ao fim. Talvez o único defeito é o exagero característico de Robin Williams em alguns momentos que o torna um pouco artificial mas que não deixa de funcionar no todo. Há outras personagens que acabaram ofuscadas mas que certamente ganharão mais espaço no evoluir da série. Uma aposta ganha da CBS sem margem para dúvidas.

8.7/10

The Michael J Fox Show (NBC)

Todos gostam de Michael J Fox é esta a premissa desta comédia.  E é verdade, não acho que alguém não goste dele, pela sua carreira cinematográfica e também pelas passagens pela tv com Spin City. Esta é uma série que é sobretudo uma homenagem ao próprio e à sua luta contra a doença de Parkinson. Confesso que ao inicio quando saíram as primeiras imagens me chocou um pouco a forma leviana como parodiavam a doença. Claro que todos sabemos que Michael é um eterno optimista e tem sido uma imagem de marca da luta pela doença mas sobretudo pela atitude positiva que sempre lhe foi reconhecida.  Mas esta é uma série extremamente positiva onde a doença é vista de forma muito humana e divertida. Se não os podemos vencer então aproveitemos o que nos dá de positivo mesmo com clichés. Muitas vezes o problema nestas séries nem é o abuso dos clichés é saber onde os usar e de que forma isso enriquece a história e esta série consegue. O elenco funciona bem e as piadas surgem de forma muito natural, não é uma comédia extrema como Crazy Ones mas é talvez a lufada de ar fresco que as comédias familiares precisam.  Fiquei particularmente feliz com a série e isso é tudo o que se pode pedir de uma sitcom.

8.5/10

Segue-se no próximo artigo considerações sobre os pilotos de drama: Sleepy Hollow, Hostages, The Balcklist e Marvels Agents of SHIELD

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