sleepy-hollow-bannerA primeira dose das novas séries de drama americanas não é muito motivadora para prever o que vai ser esta temporada, há mudanças significativas na forma de apresentar as séries mas será isso suficiente para criar sucessos? Uma das medidas adoptadas este ano para evitar a crescente critica das ‘pausas’ são as chamadas séries de duração limitada. Ou seja em vez dos habituais 22 episódios (caso a série funcione) vão optar por temporadas de 13 ou 15 evitando assim parar a exibição e também ter histórias com uma estrutura de principio meio e fim sem estar tão preso à dúvida da continuidade da mesma. Por um lado é bom porque sabemos à partida que a série tem uma estrutura definida mas corre o risco de perante uma renovação ficar esvaziada de ideias. Mas se no cabo resulta porque não aqui?

As primeiras quatro apostas da temporada já por aí andam, entre a fantasia e as grandes intrigas parece que a primeira está a ganhar pontos, seja pelas primeiras audiências seja pelas criticas positivas. Segue-se as breves análises aos primeiros pilotos de drama:

Sleepy Hollow (FOX)

Esta é uma adaptação livre do conto de Sleepy Hollow não tem nenhuma ligação ao filme e transporta o personagem central para a actualidade.  É a história de Ichabod Crane um soldado da guerra civil que morreu em combate e que acorda mais de 200 anos depois na actualidade onde se vê perante uma nova realidade mas  em território igualmente perigoso agora numa luta contra forças sobrenaturais.

À partida a série podia não ser nada de mais e limitar-se a uma série de clichés sobre um homem que ‘viajou’ no tempo, mas  não parece muito preocupada com isso e com leves toques de humor mostra-se rapidamente ao que vem. A cidade acordou para uma inesperada sucessão de crimes do ‘Cavaleiro sem cabeça’ e a partir daqui constrói-se toda uma trama sobrenatural que envolve bruxas, demónios, possuídos, adeptos da magia negra e o Apocalipse.  Pode-se entender isto como uma versão mais elaborada de Sobrenatural. De facto a série resulta pela química entre os dois protagonistas, embora a personagem Abbie fique um pouco apagada, mas facilmente entramos na espiral de terror da série e somos convencidos a ficar. Desde o cavaleiros sem cabeça a usar metralhadora, criaturas em espelhos, mortes gráficas e claro muitas cabeças cortadas. Tem diversos clichés habituais, policias burros, gente que mesmo depois de ver dúvida de tudo, a policia que é dada como maluca. Mas no fundo tudo isto acaba por ser um bom momento de entretenimento que os autores de Fringe já nos tinham habituado. É uma das primeiras grandes surpresas da temporada, tem efeitos especiais para todos os gostos, tem um elenco que oscila bem entre o humor e o drama e tem uma quantidade de pontas por onde a história se pode desenvolver. Mas sobretudo não é tendenciosa não está feita para ser uma masterpiece da tv mas cumpre perfeitamente o seu objectivo de entreter e convencer o espectador a seguir as aventuras de Ichabond Crane num mundo que não é o seu.

8/10

Hostages (CBS)

Dentro da nova proposta de séries de duração limitada a CBS que é perita em procedurals traz-nos esta proposta de série de acção mas com um tom diferente do que nos habitou. Hostages é no geral um triller em que um agente do FBI anti sistema resolve usar os seus recursos para fazer refém a família de uma importante cirurgiã  para que esta mate o presidente dos EUA durante uma operação. A série tem a seu favor o elenco com Toni Collette e Dylan McDermott a desempenharem os papéis principais. Mas o que sabemos desta série? O primeiro episódio não é algo que se possa dizer um mau piloto, é intrigante e introduz bem as premissas da série e as personagens, os elementos familiares e lateralmente algumas motivações. O problema? É um tipo de enredo visto em imensos filmes americanos e até algumas séries conhecidas como Homeland e isso por um lado retira logo o efeito novidade.  Quando nos deparamos com este tipo de histórias associamos a mini séries e não a séries com 15 episódios (como aparente ser o caso) até porque o final do episódio deita por terra uma réstia de esperança de que isto vai mais longe do que aquilo que acabamos de ver.  E depois surgem enormes clichés que em séries deste género era dispensáveis como a relação entre raptores e raptados, o marido infiel, a filha grávida, o filho que trafica droga… elementos que sabemos que vão ser usados para encher uma história que tem todo um aspecto claustrofóbico. É pena que o final do piloto não seja algo diferente e poderíamos ter uma espécie de Homeland na CBS, optaram por não correr o risco e o resultado não é apelativo.

6.1/10

The Balcklist (NBC)

O que me chateia em algumas séries é a insistente tentativa de fazer o telespectador de parvo e isso é muito recorrente em séries destes canais abertos americanos. E porque é que comecei logo a cascar na série desta forma? Porque obviamente é um dos casos mais flagrantes.  Quem viu The Following vai sentir uma espécie de De ja vu até porque a moda agora é focar séries em vilões. Esta é a história de Raymond “Red” Reddington um dos mais procurados do FBI por diversos crimes que a série por vezes nem se dá ao trabalho de explicar. Mas o que importa aqui é que ele se entrega ás autoridades e começa logo a fazer exigências, a começar por uma bela e inexperiente agente de nome  Elizabeth Keen ao qual não se consegue perceber a ligação. É o grande mistério da série. Como o senhor tem imensos direitos e está numa posição de exigir tudo o que quiser coloca os agentes atrás de um outro fugitivo do FBI, uma série de ajudas pouco claras, um conjunto de policias que parecem seguir o instinto da nova profiller mas que são altamente idiotas. E andamos nisto durante todo o piloto com gente ás aranhas a cumprir a tarefa exigida pelo prisioneiro que começa o episódio enfiado numa caixa de vidro e acaba a passear no parque. E no fim como se portou bem exige colaborar com o FBI para caçar mais procurados do FBI, aí descobrimos a que se refere o nome da série. Para começar James Spader não está nem por sombras brilhante neste papel, rouba imensos maneirismos a Hannibal e a outros vilões deste género e não há claramente química com Megan Boone a agente novata. A série é um rol de disparates que mais uma vez colocam o FBI como os idiotas e espectador igualmente parvo porque todos sabemos que as coisas não funcionam daquela forma. É um desperdício de tempo esta série até porque tem todo o aspecto de ser procedural durante bastante episódios como se não se percebesse logo que há uma agenda própria de Raymond.

5/10

Marvel Agents of S.H.I.E.L.D. (ABC)

Não sou muito fã de BD e dos filmes inspirados em personagens Marvel e outros, mas esta série gozava de um enorme hype por de alguma forma ser a sequela do filme The Avengers e isso talvez tenha exagerado um pouco as expectativas relativas a este projecto. A história da série começa pouco depois do final do filme onde vamos redescobrir a agência secreta  SHIELD que está empenhada em garantir a segurança dos humanos e impedir que novas criaturas ou experiências possam surgir. O piloto não se esforça muito em introduzir uma trama forte, mais as personagens e o universo, tem um caso inicial relativamente pouco interessante e que apenas usa referências ligeiras a uma suposta agenda secreta de uma tal ‘Centipede’ que será à partida o grande vilão misterioso. O episódio está cheio de high tech e referências ao filme assim como a outros elementos do universo Marvel. É certo que aqui não vamos ver as grandes personagens da marca e seguirá um tom que faz lembrar imenso Heroes, não é que isso seja mau desde que não cometa os mesmos erros. Cheio de toques de humor muito comuns nestas séries de Joss Whedon, o elenco é relativamente competente mas ainda não deu para ver onde podem evoluir. É um episódio relativamente agradável e que convence alguns fãs, mas obviamente sente-se que sabe a pouco para um piloto que tem como base um filme blockbuster.

7.6/10

No próximo artigo iremos abordar as séries Lucky 7, Betrayal, Masters of Sex e Ironside

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